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O Amor Vence Religiões? Sessão de Casamento em Jerusalém

Jerusalém 31/03/2018

Jerusalém é uma cidade que há muito queríamos conhecer pela sua mística, história e beleza. Nunca nos tinha ocorrido que haveríamos de atravessar as estreitas ruas vestidos de noivos, mas a verdade é que aconteceu e foi uma experiência muito forte e marcante.

 
 

Começámos a nossa sessão no lindíssimo Waldorf Astoria onde passámos um par de horas porque a sua arquitetura e formosura merecem. Depois seguimos para o coração da cidade do qual o hotel não dista mais do que 15 minutos a pé. Ao contrário do que fazemos habitualmente esperámos pelo entardecer para percorrer as ruas da cidade santa. Ao longo do trajeto começaram as habituais e alegres felicitações dos turistas que como nós por ali passeavam e dos carros que buzinavam à nossa passagem.

 
 

Era meio da tarde e nós entramos nas muralhas da Cidade. As ruas que ao longo de milénios foram sangrentas e palcos de guerra revelavam-se naquele momento tão bonitas e pacificas. Tínhamos connosco o Ben, um fotografo Judeu que nos guiou pelas ruas que tão bem conhece e nos fotografou com o seu olhar singelo de artista.

 
 

Corremos pelas muralhas por brincadeira e porque tínhamos receio que fechassem, aqui tínhamos uma vista de toda a cidade deveras impressionante.

 
 

Víamos ao longe a Cúpula da Rocha (lugar sagrado para os Muçulmanos) e ouvíamos as chamadas islâmicas para oração, ao mesmo tempo que os sinos tocavam da Igreja do Santo Sepulcro (local sagrado para os Cristãos) e ouvíamos o som do shofar que é o chifre do cordeiro judaico da zona do Muro das Lamentações (lugar sagrado para os Judeus). Dá para imaginar no conjunto esta melodia? E nós ali estávamos no iminente desequilíbrio (que sempre se teme), da equilibrada e sedutora melodia que o vento trazia, com os nossos trajes de noivos.

 
 

Sentimos o coração acelerar pois foi nesse preciso momento que íamos entrar nos mercados. A cauda do meu vestido mal cabia em largura nas estreitas ruas e então, não sei ainda como aconteceu, parecia que o sentido da rua se tinha trocado naquele momento, pois sem querer chamamos a atenção e dezenas de pessoas se voltaram para nos ver.

 
 

Aqui o André disse: “Nós somos malucos” o que consegui responder foi: “completamente”! Sentimos por breves instantes que podia correr menos bem se alguém ali não aceitasse tão bem quanto isso aquela ideia. Além disso as ruas estreitas e pouco luminosas não nos deram segurança, algo que mudou em segundos pois ouvimos as palmas e vimos sorrisos. Fomos parabenizados pelos Cristão, pelos Judeus e pelos Muçulmanos. Ao longo do caminho fomos acompanhados de aplausos, cânticos tradicionais e centenas de olhares tão felizes quanto surpreendidos por nos verem ali.

 
 

Os mercados apareciam em sequência. Passámos pelo dos Cristãos, dos Judeus e dos Muçulmanos e naquela divisão criada ao longo de milhares de anos, no ar as fragâncias de incenso, o cheiro a café e a fumaça das velas misturavam-se. Percorremos a Via Dolorosa assim trajados e sentimos a emoção que naquelas ruas transbordava ou não estivéssemos nós, na altura da Páscoa.

 
 

Tentámos não ferir susceptibilidades e naquele lugar em que a guerra e a paz são separadas por linhas tão ténues foi algo que nos preocupou mesmo.

 
 

Não entrámos na Igreja do Santo Sepulcro apenas fotografamos a porta o seu ambiente e arquitetura, não nos aproximamos mais do que é aceitável da Cúpula da Rocha e no Muro das Lamentações tentámos não chegar demasiado perto.  Para chegar a este lugar havia uma fila de mais de meia hora. Fila na qual estavam pessoas das três religiões e sabem quanto tempo esperamos? Nenhum! Todos nos deram passagem.

 
 
 
 
 
 

Eis que chegados a este lugar uma senhora Judia (o próprio Ben a apelidou de fanática apesar de ser da sua crença), me mandou tapar os ombros e avisou que a opção era ela expulsar-me. Rapidamente se insurgiram dezenas de pessoas que diziam que ali o amor era bem-vindo e que ela é que não devia ali estar.

 
 

Entre aplausos, emoção e alguns nervos fotografamos naquele lugar. Foi claro o momento mais tenso da sessão, mas o desfecho fez valer a pena o pequeno susto.

 
 

A sensação e o resultado é algo que nos apaixona tal como a Cidade Santa. Foi certamente o desafio maior que vivemos nas nossas sessões até à data. Não só pelo lugar em si que havíamos escolhido, mas porque à data ainda não tinha passado muito mais que um mês da minha cirurgia e o meu estado era frágil e o André estava sempre preocupado. O resultado foi este! Valeu a pena. Não acham?

 
 

Fotografia: BEN KELMER - www.benkelmer.com

honeymooners, Jerusalém 04/2018

 

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1 Comentários

    Jordânia

    Que lindo! Meu sonho é passar a minha lua de mel em Jerusalém. Eu não sei porque tenho esse desejo, é algo muito profundo que não sei explicar. Obrigada pela inspiração dessas lindas fotos e dessa história encantadora.

Segue-nos!

Não percas nenhuma aventura dos honeymooners: